Publicado por Redação em Previdência Corporate - 04/09/2015

Deterioração do ambiente operacional deve pressionar prêmios das seguradoras

A Fitch Ratings espera que as pressões negativas sobre os prêmios sejam mais fortes no segundo semestre de 2015, em função da significativa deterioração do ambiente operacional, da aceleração do aumento do desemprego e da inflação persistente.

De acordo com o Panorama Semestral do Setor de Seguros da agência de risco, a Selic cresceu sucessivamente até atingir 14,25% em julho (de 11,75% em dezembro de 2014), o que adicionou volatilidade aos resultados financeiros das seguradoras.

O relatório destacou ainda que o Brasil entrou em recessão em 2015, após seu PIB se contrair no primeiro e no segundo trimestres do ano, ao mesmo tempo, as taxas de desemprego e inflação continuam subindo. “A Fitch Ratings acredita que o fraco desempenho econômico persistirá no restante de 2015 e em 2016”, diz panorama setorial.

A Fitch observa que, em junho de 2015, o total de prêmios da indústria de seguros no Brasil (incluindo previdência privada, capitalização e todos os segmentos de seguro, exceto o de saúde) apresentou forte crescimento, de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando R$ 104 bilhões. Em 2014, a alta foi de 10%, a mais baixa desde 2006.

A recuperação do crescimento no primeiro semestre é explicada pelo segmento VGBL, que representou 40% dos prêmios. Em junho de 2015, os VGBLs cresceram 31% (ano a ano), taxa movida principalmente pelo fraco primeiro semestre do ano passado, quando houve contração de 4,2%.

O crescimento em outras linhas importantes foi variado, mas a maioria foi pior do que em 2014, reflexo do cenário econômico desafiador. Nas linhas de auto o crescimento foi de 6%; e, capitalização houve queda de 2,7%; no ramo de vida e acidentes pessoais a alta foi de 9%; demais ramos elementares avançou 1% e PGBLs e planos de previdência tradicionais subiram 9%.

A Fitch acredita que as pressões negativas sobre os prêmios serão mais fortes no segundo semestre. “A indústria brasileira de seguros é altamente concentrada em produtos de varejo individuais e pouco em seguros para empresas. Logo, a aceleração do aumento do desemprego e a inflação persistente, aliadas ao ainda alto endividamento familiar, devem pressionar o crescimento dos prêmios na maioria dos segmentos”, disse o relatório.

Lucratividade

Mesmo com a as dificuldade, no período, a lucratividade do setor continuou sólida, de acordo com agência de risco. Resultados técnicos estáveis (caracterizados pelo índice combinado de 88,7%) e aumento dos resultados financeiros sustentaram os ganhos. O último item é resultado do crescimento constante das taxas de juros, que beneficiou a lucratividade do setor, pois os títulos públicos com taxas flutuantes formam a maior parte da carteira de títulos das seguradoras.

No segundo semestre, a lucratividade deve continuar se beneficiando dos juros altos, mas uma queda no crescimento dos prêmios e a alta da inflação podem elevar os índices de despesas e minar os resultados técnicos.

Fonte: Monitor Mercantil


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