Publicado por Redação em Previdência Corporate - 16/02/2011
Balanço do Panamericano confirma rombo de R$ 4,3 bilhões
No 4º trimestre, prejuízo registrado foi de R$ 133,62 milhões.
Grupo Silvio Santos vendeu participação ao BTG por R$ 450 milhões.
O Banco Panamericano, que teve seu controle comprado pelo BTG Pactual , anunciou nesta quarta-feira prejuízo líquido de R$ 133,617 milhões de reais no trimestre encerrado em dezembro do ano passado. No total, o rombo identificado no banco foi de R$ 4,3 bilhões.
No comunicado, o Panamericano informa que além do rombo inicial de R$ 2,5 bilhões, "a administração identificou irregularidades adicionais de R$ 1,3 bilhão inicialmente informados e outros ajustes não relacionados a inconsistências no valor de R$ 0,5 bilhão".
A instituição mantinha em seu balanço como ativos carteiras de crédito que haviam sido vendidas a outros bancos. Também houve duplicação de registros de venda de carteiras, inflando o resultado do Panamericano, segundo identificou o Banco Central.
Segundo o balanço, o valor total de R$ 4,3 bilhões foi integralmente ajustado no balanço patrimonial e é a soma de: R$ 1,6 bilhão referente à carteira de crédito insubsistente, R$ 1,7 bilhão referente a passivos não registrados de operações de cessão liquidados/referenciados, R$ 500 milhões referentes à irregularidades na constituição de provisões para perdas de crédito; R$ 300 milhões referentes a ajustes de marcação a mercado; e R$ 200 milhões referentes a outros ajustes
O Panamericano terminou o ano passado com carteira de crédito totalizando R$ 13,3 bilhões, contra 9,97 bilhões de reais em 2009, conforme resultado divulgado anteriormente.
O banco que pertencia a Silvio Santos, dono do SBT, protagonizou uma fraude contábil revelada em novembro do ano passado.
Em 31 de janeiro, o BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, anunciou a compra do controle do Panamericano por R$ 450 milhões, assumindo 51% das ações com direito a voto que pertenciam ao Grupo Silvio Santos e parcela de papéis preferenciais da instituição.
Outro acionista relevante do Panamericano é a Caixa Econômica Federal. Na semana passada, a Caixa informou que vai disponibilizar de 8 bilhões a 10 bilhões de reais ao Panamericano para dar liquidez ao banco.
Resgate privado
Em novembro, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) organizaram um plano que resultou na injeção, pelo FGC, de R$ 2,5 bilhões no Panamericano para reforçar o seu balanço e evitar uma corrida aos depósitos. O FGC emprestou o dinheiro a Silvio Santos, que deu como garantia as empresas do seu grupo, que incluem uma emissora de televisão e uma fabricante de cosméticos. Na ocasião do anúncio da venda para o BTG, o fundo anunciou um repasse adicional de R$ 1,3 bilhão, somando um total de R$ 3,8 bilhões.
“Se o banco fosse liquidado perderíamos mais R$ 2,2 bilhões para cobrir os depósitos de clientes com garantias especiais”, disse o diretor-executivo da instituição, Antonio Carlos Bueno, após a venda do Panamericano ao BTG.
Com o acordo, o BTG Pactual passa a deter 34,64% do Panamericano, com 51% das ações ordinárias – o que garante o controle do banco – e 21,97% das preferenciais.
Pelo contrato de compra e venda do Panamericano, o dinheiro pago pelo BTG ao Grupo Silvio Santos serão transferidos diretamente ao FGC.
O comando do Panamericano está agora nas mãos de José Luiz Acar Pedro, sócio do BTG.
Especializado nos segmentos de leasing e financiamento de automóveis, o Panamericano teve 49% do capital votante e 35% do capital total vendido para o banco estatal Caixa Econômica Federal em dezembro de 2009, por R$ 739,2 milhões.
Fonte: g1.globo.com | 16.02.11
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