Publicado por Redação em Notícias Gerais - 10/04/2015

Taxas para o consumidor sobem pelo sexto mês e transformam gastos de R$ 1 mil em quase R$ 4 mil. Cortes são necessários

As taxas de juros estão fechando o cerco aos consumidores que precisam contratar financiamentos de longo prazo. Os encargos cobrados nas operações de crédito cresceram em março pelo sexto mês consecutivo, de acordo com pesquisa da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac). Em produtos como o cartão de crédito, os juros assumiram níveis estratosféricos, de 290,43% ao ano, o mais alto percentual desde 1999. Ao fim de 12 meses, a taxa praticamente faz o valor da fatura do cartão quadruplicar.

A Anefac pesquisou seis linhas de crédito em março, constatando que neste mês em todas elas as taxas de juros foram elevadas (juros do comércio, cartão de crédito rotativo, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de veículos, empréstimo pessoal dos bancos e empréstimo pessoal das financeiras).

A taxa de juros média anual geral para pessoa física, passou de 115,32% em fevereiro para 118%, em março. É a maior taxa de juros desde agosto de 2011.

A dica de especialistas é para que nesse momento os consumidores evitem os financiamentos de longo prazo e a inadimplência, fugindo da bola de neve, que torna algumas dívidas quase que impagáveis. Para quem precisa de crédito, o melhor é ficar bem atento aos valores que os financiamentos podem atingir.

Uma dívida de R$ 1 mil no cartão de crédito, por exemplo, atinge patamar muito agressivo. Com juros anuais de 290,43%, o montante quase que quadruplica, se transformando em R$ 3.904,33. No cheque especial, os encargos atingiram 201,74% ao ano em março, ante 195,2% em fevereiro. A mesma dívida de R$ 1 mil, no cheque especial, triplica em 12 meses chegando a R$ 3017,37%.

Miguel José de Oliveira, coordenador da pesquisa, diz que a taxa menor é a oferecida no crédito consignado, em que R$ 1 mil se transformam em R$ 1.412,00 no período de um ano. “O consumidor deve evitar as dívidas no cartão de crédito e fugir dos financiamentos de longo prazo. A tendência é de que a inadimplência cresça em 2015, assim como as taxas de juros”, diz o especialista.

Para não escorregar e cair na bola de neve, o casal Soraia Oliveira e Édipo Trindade evita fazer dívidas e paga todas as contas à vista. Soraia, que, no passado, já provou o gosto amargo dos juros altos, hoje, usa uma estratégia para não gastar além do programado. “Estipulei um limite baixo de R$ 400 em compras no meu cartão de crédito. Se não fosse o teto, sinto que poderia gastar o dobro.”

Com as contas em dia, ela conta que a tática de pagar à vista tem rendido bons resultados. Ontem, o casal foi buscar as alianças em um joalheira no centro de BH e pagou à vista pelos anéis. “Este ano também vamos ampliar nosso salão de beleza em Lagoa Santa (na Grande Belo Horizonte) e estamos planejando tudo muito bem, para não fazer dívidas.”

O especialista em estratégia de mercado Eduardo Veras diz que a prática do casal Soraia e Edipo está de acordo com o atual momento da economia. “Os preços estão altos e o melhor é procurar descontos e pagar à vista. A inadimplência é o pior negócio.” Segundo ele, neste ano o consumidor brasileiro deve manter seus gastos prioritários, como a escola particular, mas vai adiar projetos, substituir outros e cortar planos “. A viagem ao exterior pode ser substituída por férias mais baratas, a festa de aniversário pode ser adiada para o ano que vem e alguns itens dispensáveis como um personal trainer pode ser cortado.

Eduardo Veras acredita que a partir do segundo semestre haverá cortes também naqueles gastos que dão prazer ao consumidor. “Por exemplo, a garrafa do vinho preferido”, afirma. A alta nas taxas de juros foi generalizada. No empréstimo pessoal, os bancos elevaram a taxa anual de 58,27% para 59%. Nas financeiras, a taxa do crédito pessoal passou de 138,18% para 138,71% e no varejo de 81,65% para 82,48%.

Considerando todas as elevações da taxa básica de juros (Selic) promovidas pelo Banco Central, entre março de 2013 e março de 2015, houve elevação da Selic em 5,50 pontos percentuais (elevação de 75,86%), de 7,25% ao ano em janeiro de 2013 para 12,75% ao ano em março de 2015.>

Fonte: Jornal Estado de Minas


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