Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 21/05/2025

Psicólogo alerta sobre a cultura da produtividade tóxica

O excesso de ocupação não afeta só o trabalhador: atinge o entorno, reduz a convivência e empobrece o tecido social.

No Brasil, transtornos mentais já são a terceira principal causa de afastamento do trabalho. Em muitos casos, por trás dos laudos de ansiedade, depressão ou burnout, está uma lógica de produtividade tóxica: uma cultura que reduz cada hora em capital, encara cada pausa como desperdício e reduz cada pessoa a recurso.

Desde 2019, o burnout passou a ser reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como uma síndrome ocupacional. Trata-se de um esgotamento crônico causado por condições laborais desgastantes, marcado por exaustão física e emocional, despersonalização e perda de sentido. Esse aumento dos afastamentos por transtornos mentais nos últimos anos é sinal de que algo estrutural precisa ser revisto.

Não se trata de romantizar a vida, mas de reconhecer que na base dessa cultura está a ideia de que o valor de alguém se mede pela sua utilidade. Essa lógica não é neutra, pois reforça desigualdades, penaliza quem precisa desacelerar, e ignora o fato de que nem todos partem do mesmo ponto.

Um efeito colateral psicológico disso é o impacto relacional. Vínculos afetivos enfraquecem quando tudo gira em torno do trabalho. Relações familiares, amizades e até a vida comunitária são consumidas pela lógica do “agora não posso”. O excesso de ocupação não afeta só o trabalhador: atinge o entorno, reduz a convivência e empobrece o tecido social.

A tecnologia também desempenha um papel nesse cenário. A promessa de autonomia que veio com o trabalho remoto e os dispositivos móveis se converteram em disponibilidade permanente. Responder mensagens fora do expediente, participar de reuniões em fusos distintos, lidar com demandas a qualquer hora — tudo isso dissolveu as fronteiras entre tempo de viver e tempo de produzir.

Nesse cenário, modelos alternativos de organização do tempo ganham relevância. Em diversos países, novas jornadas de trabalho estão sendo testadas. No Brasil, um projeto-piloto com universidades e empresas privadas avalia o modelo 4×3, que busca manter ou elevar a produtividade, reduzir o estresse, melhorar a saúde mental e aumentar a satisfação das equipes.

Mais que uma pauta corporativa, trata-se de uma discussão sobre valores. Qual o custo humano de uma cultura que glorifica a sobrecarga? Talvez o avanço esteja menos em fazer mais, e mais em permitir pausas, limites e humanidade. Produtividade que adoece não é progresso — é retrocesso disfarçado de eficiência.

Fonte: Mundo RH


Posts relacionados

Saúde Empresarial, por Redação

Aplicativos de saúde podem ser os melhores amigos dos médicos

Não é possível mudar um estilo de vida em apenas 10 minutos em um consultório que parece uma cela

Saúde Empresarial, por Redação

Saúde repassa R$ 23,3 milhões para nove estados

Recursos são destinados à expansão dos serviços de saúde, assistência a usuários de drogas e para custeio de Unidades de Pronto Atendimento

Saúde Empresarial, por Redação

ANS aponta melhora no desempenho dos planos de saúde

Pesquisa demonstrou crescimento do percentual de beneficiários em planos com Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) igual ou superior a 0,5 entre 2007 e 2010

Saúde Empresarial, por Redação


Deixe seu Comentário:

=