Publicado por Redação em Notícias Gerais - 30/05/2012

Governo cogita taxa de juros abaixo de 8% até agosto

Integrantes do governo Dilma consideram que o agravamento do clima de incerteza na Europa cria condições para que a taxa de juros anual termine 2012 abaixo de 8%.

A expectativa dentro do governo é que ela possa chegar a 7,75% no final de 2012 ou até mesmo a 7,5% na eventualidade de o cenário europeu piorar por conta da delicada situação da Grécia.

Esse cenário depende, alertam assessores presidenciais, da manutenção do quadro desinflacionário atual no mundo e no Brasil, garantindo uma inflação na casa de 5% ao final deste ano.

O ambiente econômico deste início de ano, com fraco crescimento da economia, trabalha a favor da estratégia do BC de seguir cortando a taxa Selic sem grandes riscos para a inflação.

Na sexta-feira, o IBGE irá divulgar o resultado do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre. O número não deve ficar acima de 0,50% em relação ao trimestre anterior.

Apesar da estimativa de uma ligeira recuperação em abril e maio, a equipe econômica já trabalha também com um número ruim no segundo trimestre, levemente superior ao do primeiro, o que deve levar a um crescimento de cerca de 3% no ano.

O fraco crescimento no primeiro semestre não era esperado pela equipe presidencial no início do ano, mas gera espaço, na avaliação de assessores, para o BC testar níveis mais baixos para os juros.

*COPOM *

A equipe da presidente Dilma conta com um corte de 0,50 ponto percentual na reunião de hoje do Copom (Comitê de Política Monetária), o que fará a taxa básica de juros do BC cair dos atuais 9% para 8,5%, a mais baixa da história da taxa Selic, criada em 1986.

Depois, dá como certa mais uma redução de 0,50 ponto percentual no encontro de junho. Aposta ainda que, na reunião de agosto, será possível fazer o último corte dos juros do ano, de 0,25 ponto percentual.

Esse cenário, porém, não leva em conta a pior hipótese para os desdobramentos da crise internacional, com uma saída "desordenada" da Grécia da zona do euro e maior impacto sobre a economia chinesa.

Por enquanto, apesar do temor, o governo acredita que tem instrumentos suficientes e a experiência da crise de 2008 para evitar que a contaminação da economia brasileira leve o país a uma recessão ou a um crescimento pior do que os 2,73% registrados em 2011.

RESERVAS

Além da possibilidade de usar recursos retidos no BC (compulsórios) para irrigar a economia, a equipe econômica conta com reservas em dólar e, no caso de maior estresse, até mesmo com a redução da economia feita pela União para pagar juros da dívida, o chamado superavit primário.

Essa, porém, é uma carta na manga para ser usada "numa situação de excepcionalidade", caso o pior dos cenários se concretize.

E, ainda assim, na avaliação dos técnicos do governo, por mais que se intensifique, a crise não deverá ser tão séria quanto a de 2008.

Dentro do governo, há expectativa de que nos próximos meses possa haver uma retração na oferta de linhas externas, em função da maior aversão a risco.

Acredita-se, porém, que hoje os bancos estão mais preparados, há mais agilidade na reação do governo e o BC tem condições de suprir essa carência com recursos das reservas.

Fonte: Folha


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