Publicado por Redação em Notícias Gerais - 10/06/2011

Economia e Política Econômica: o padrão de crescimento em 2011

O resultado do PIB do primeiro trimestre foi positivo. A economia avançou 1,3% com relação ao último trimestre do ano passado, contra apenas 0,8% no trimestre anterior. Não foi só isso. A indústria melhorou e a agropecuária também, enquanto o setor de serviços manteve sua liderança no crescimento global. O investimento evoluiu bem mais e o consumo bem menos do que vinha ocorrendo, sugerindo que a inflação maior desse ano decorre mais do “choque” de commodities e de fatores pontuais do que de um maior aquecimento da economia, embora o nível da atividade continue alto.

Os novos dados do PIB também já dizem algo sobre o perfil do crescimento em 2011. O crescimento econômico atual, na faixa de 4%, pode prevalecer para o restante do ano. Trata-se de uma trajetória moderada, bem inferior a de 2010 (7,5%) e que tem à frente o setor de serviços (expansão de 4%) onde o comércio cresce mais (5%). Só depois aparece a indústria (3,5%) e a agropecuária (3%), mas nesse caso, é provável que o resultado melhore. O detalhe é que dentro da indústria, a manufatura tem desempenho muito inferior: 2,5%.

Em suma, a economia deve ser puxada pelos setores de bens não transacionáveis com um dinamismo apenas modesto da transformação industrial. Se isso se confirmar, o ano de 2011 estará contribuindo para reforçar a tendência da “especialização” precoce da economia brasileira em uma “economia de serviços”.

No provável padrão de crescimento do ano, aparece ainda com destaque a moderação do consumo com avanço que pode ser inferior aos 6% com que evoluiu no primeiro trimestre de 2011. As despesas de consumo das famílias aumentaram muito no período de recuperação à crise, culminando com uma elevação real de 7,5% no último trimestre do ano passado. A desaceleração é obra das “medidas macroprudenciais” que, independentemente dos juros básicos, contiveram o crédito para as pessoas físicas. Ao contrário do que muitos diziam, as políticas do governo nessa área funcionaram e hoje colaboram para conter o consumo.

No investimento, a expansão no primeiro trimestre, próxima a 9%, pode se consolidar no ano como um todo se os empresários não refrearem seus planos de inversão temendo uma desaceleração maior da economia. A nosso ver, o crescimento na casa de 4% ameniza o risco de um retrocesso forte das inversões, mas há outro problema a ser levado em conta: a confiança dos empresários não pára de cair em razão do grande ímpeto das importações favorecidas pelo câmbio. A política econômica precisa ter presente que é muito difícil reerguer os investimentos após uma frustração das expectativas empresariais e, por isso, deve evitar uma desaceleração maior do PIB, assim como a valorização excessiva da moeda.

De resto, o ano de 2011 deverá reproduzir o fosso entre uma progressão relativamente pequena das exportações de bens e serviços e um dinamismo muito maior das importações, o que não é nada bom, pois quase sempre esse padrão leva, cedo ou tarde, a crises cambiais.

Fonte: www.saudeweb.com.br | 10.06.11


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Segurados do INSS que recebem acima do piso têm até terça para sacar o benefício

Os segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem acima do piso previdenciário - um salário mínimo ou R$ 678

Notícias Gerais, por Redação

Confira 5 dicas para sua empresa ter vida longa

Para o consultor e diretor do Grupo Candinho Assessoria Contábil, Glauco Pinheiro da Cruz, dois fatores foram essenciais para a baixa da mortalidade de empresas. 

Notícias Gerais, por Redação

Empresas pagam 1ª parcela do 13º; confira os melhores investimentos

Até o dia 30 de novembro as empresas devem pagar a primeira parcela do 13º salário e quem está com as contas em dia e pretende investir esse dinheiro para uso em curto prazo deve optar por aplicações mais conservadoras, de acordo com especialistas.

Notícias Gerais, por Redação

Maia vê dificuldades para votação do fim do fator previdenciário

Às vésperas da data marcada para a votação do fim do fator previdenciário, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), apontou dificuldades para a análise do texto na semana que vem.

Deixe seu Comentário:

=