Publicado por Redação em Notícias Gerais - 18/12/2014

Dieta engorda e é gatilho para transtorno alimentar, diz nutricionista


 O fim de ano chega, o verão começa... E logo vem aquela preocupação com o ganho de peso provocado pelas delícias natalinas. Quando começar a dieta? Se depender da nutricionista Sophie Deram a resposta é: nunca!

Na contramão da maioria dos especialistas, ela defende que regime não é garantia de perda de peso e, pior, pode ajudar a engordar. Para ela, fazer dietas por tempo prolongado aumenta o risco de que a pessoa se torne compulsiva por comida.

Sophie Deram, que é francesa, mas vive no Brasil, explica que cortar alimentos que são fontes de carboidratos e gorduras faz com que o corpo diminua o metabolismo e o cérebro fique com mais "vontade" de procurar comida, o que pode levar a engordar.

A tese da nutricionista, doutora em nutrição pela USP (Universidade de São Paulo) e autora do livro "O Peso das Dietas - Emagreça de forma sustentável dizendo não às dietas!" (Editora Sensus), leva em conta os estudos mais recentes sobre dietas e sua experiência no tratamento de pessoas com transtornos alimentares, como anorexia e bulimia.

Entre os estudos, ela cita um da Universidade de Helsinque, na Finlândia, publicado em março de 2012 no periódico International Journal of Obesity, no qual cientistas investigaram o ganho de peso em mais de 2.000 pares de gêmeos por 25 anos.

A pesquisa concluiu que o gêmeo que fazia dieta engordava mais do que o irmão que comia sem restrição, embora os dois tivessem a mesma propensão genética a ter doenças como a obesidade.
 "Há estudos que mostram que fazer dietas te coloca no caminho de engorda porque elas impedem a pessoa de 'escutar' o corpo na hora de matar a fome, ou seja, impedem de ter uma perda de peso sustentável e tranquila. A melhor maneira de perder peso é comer de forma consciente, tendo uma alimentação variada. Aprendemos que fechar a boca e malhar é o ideal, mas isso faz aumentar o apetite", diz a especialista.
Erro 1: cortar carboidrato e gordura

A nutricionista Sophie Deram começou a estudar os efeitos das dietas há 25 anos, quando deixou a França para viver nos Estados Unidos -- onde se deparou com o que ela chama de "uma guerra contra a gordura". "Isto está sendo revisado porque a gordura em si não engorda. Por terem demonizado a gordura, virou tendência comer mais carboidrato que, em grandes quantidades, pode engordar", diz.

A própria restrição ao carboidrato, que hoje tem como expoente a dieta do médico francês Pierre Dukan, também é maléfica na opinião da nutricionista, pois é o "combustível do corpo" e é metabolizado de forma diferente em cada pessoa. "Quando você não respeita seu corpo, não escuta sua fome e sua saciedade, cortando o carboidrato, você assusta o cérebro, que entende que você não está comendo e vai aumentar seu apetite e diminuir o metabolismo, queimando menos gordura", afirma.

Restringir o consumo de carboidratos e de gorduras por um longo período, por sua vez, pode ainda aumentar o risco de compulsões alimentares porque o corpo tenda a se adaptar à falta de ambos fazendo o organismo "pensar" muito mais em comida do que antes.

"[Quando a pessoa começa a cortar muitos alimentos da dieta], ela tende a ficar mais obcecada por comida e passa a usá-la como algo que vai resolver cansaço, tristeza e trazer felicidade. O cérebro dá ao alimento um papel reconfortante, o que aumenta o risco de desenvolvimento de compulsões alimentares", diz Deram.
Erro 2: comer menos e fazer exercícios


Outro erro comum para quem quer perder peso, diz a nutricionista francesa, é sobrecarregar o corpo com exercícios ao mesmo tempo em que adota uma dieta mais restritiva. Ambos estressam o cérebro, que procura mais por comida pela necessidade de repor o que foi gasto no exercício.

"O cérebro já está estressado porque está querendo entender a diminuição de alimentos e você aumenta a atividade física, geralmente sem comer uma quantidade equivalente, sendo que as duas atividades aumentam o apetite -- o que pode levar a comer mais", explica.
Solução

O primeiro passo para emagrecer corretamente é entender a causa do ganho de peso, que pode ser por alta ingestão calórica ou por problemas hormonais, estresse físico e psicológico ou por uso de medicamentos. O ideal nestes casos é procurar um endocrinologista e depois alinhar uma dieta com um nutricionista.

O segundo passo é "ensinar" o cérebro que basta um pedaço de chocolate, não a barra inteira, para satisfazer a vontade. Como fazer isso? Diminuindo as porções de alimentos que contêm gordura e açúcar -- os alimentos preferidos do cérebro por causarem sensações praticamente instantâneas de bem-estar.

O terceiro passo, ensina Deram, é não deixar de comer carboidratos, mas diminuir as porções encontradas principalmente em alimentos doces. Segundo a nutricionista, o brasileiro come uma quantidade maior de alimentos açucarados (14% das calorias da dieta) do que o recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que é de menos de 10% das calorias da dieta. Entre os adolescentes brasileiros, o consumo é ainda maior, 15% das calorias ingeridas na dieta vêm dos doces.
Quando a dieta é necessária

Para o endocrinologista Henrique Suplicy, presidente da Comissão de História da Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, há casos específicos nos quais a dieta é bem-vinda: pessoas com colesterol, triglicerídeos e glicose alta, além de obesos, diabéticos ou quem têm problemas ortopédicos cuja indicação é perder peso.

Mas o ideal, diz ele, é que a dieta não seja encarada como um sacrifício, mas como um prenúncio da já tão conhecida reeducação alimentar.

"Eu concordo que algumas dietas, principalmente as muito restritivas, têm vida muito curta. A pessoa perde peso, depois a abandona, recupera tudo e não adianta nada. Mas se fizer uma dieta visando à reeducação alimentar, a perda de peso e a mudança de hábitos... é outra coisa", diz Suplicy.

O endocrinologista não vê uma relação direta entre as dietas e a compulsão alimentar, esta uma consequência de um distúrbio psiquiátrico.

"Se a pessoa já tem o problema, mesmo fazendo a dieta e chegando ao peso considerado ideal, ela não para e continua a perder peso. Não acho que a dieta em si é um gatilho, porque há muita gente que faz dieta e nem por isso fica anoréxica ou bulímica", diz.

Fonte:  www.uol.com.br


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Receita promove projeto que mostra trabalho nas alfândegas

A Receita Federal pretende mostrar ao cidadão como funciona o trabalho nas alfândegas. Para isso, realiza no dia 28 deste mês, em 41 unidades em vários estados, a segunda edição do projeto A Receita Federal Convida: Conheça a Nossa Aduana.

Notícias Gerais, por Redação

Investimento na indústria deve passar de 20% em 2012, diz Fazenda

O Ministério da Fazenda estima que o setor industrial deve apresentar um desempenho melhor neste ano, especialmente após as medidas de estímulo adotadas pelo governo em março.

Notícias Gerais, por Redação

Em fevereiro, produção industrial avança em sete estados, diz IBGE

Na passagem de janeiro para fevereiro, a produção industrial regional avançou em sete dos 14 locais avaliados pela Pesquisa Industrial Mensal Produção Física - Regional divulgada nesta terça-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Notícias Gerais, por Redação

Bovespa: saldo é positivo em R$ 770 mi na 1ª semana do ano

A Bovespa registrou a entrada líquida de R$ 770,983 milhões em recursos de investidores estrangeiros na primeira semana do ano. No período, esses investidores movimentaram R$ 9,520 bilhões em compras e R$ 8,749 bilhões em vendas.

Notícias Gerais, por Redação

Brasil tentará consenso para salvar Protocolo de Kyoto em Durban

O Brasil quer evitar, durante a conferência anual de clima da ONU, em Durban, que o Protocolo de Kyoto "morra". A afirmação é do embaixador André Corrêa do Lago, diretor do departamento de Meio Ambiente do Itamaraty.

Notícias Gerais, por Redação

Bolsas da Ásia avançam com esperança sobre Grécia

As Bolsas de Valores asiáticas fecharam em forte alta nesta sexta-feira, com esperança de que a Grécia abandone o referendo proposto sobre a ajuda externa ao país, mas os investidores permaneceram cautelosos sobre o voto de confiança marcado para mais tarde no Parlamento.

Deixe seu Comentário:

=