Publicado por Redação em Notícias Gerais - 07/11/2013

Brasil tem menor emissão em 20 anos, mas número deve crescer em até 3 anos

As emissões brasileiras de gases do efeito estufa em 2012 foram as menores em 20 anos, totalizando 1,48 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente só no ano passado. Apesar desta aparente boa notícia, a expectativa é que as emissões voltem a crescer em até três anos devido ao incentivo à gasolina e termelétricas no país.

Até esta quinta-feira (7) as emissões de gases de efeito estufa do Brasil não eram muito conhecidas. O último dado oficial era de 2010, e o anterior, de 2005. Por isso ONGs ambientalistas do Observatório do Clima fizeram um levantamento das emissões de 1990 a 2012. O Sistema de Estimativa de Emissões de Gases do Efeito Estufa (SEEG) disponibiliza online os dados de emissão e irá atualizar os números a cada ano em cinco áreas: agropecuária, energia, mudanças de uso da terra, processos industriais e resíduos.  

As emissões em 2012 ficaram 7% acima de 1990, enquanto as emissões no mundo cresceram 37%. O desmatamento é o principal fator que faz com que o setor de mudanças de uso da terra tenha diminuído suas emissões em 41,5% no período. Entretanto, todos os outros setores apresentaram crescimento nas emissões: energia, 126%; processos industriais, 65%; resíduos, 64% e agropecuária, 45%

Tasso de Azevedo, coordenador geral do SEEG, destaca que todos estes setores cresceram mais do que a média mundial. "As emissões no total cresceram menos do que cresceram no mundo, principalmente pela queda no desmatamento. Mas se tirar uso do solo [da conta], na verdade, nossas emissões estão crescendo muito". Ele estima que em dois ou três anos seja "bem provável" que a emissão total volte a crescer.

"As emissões do setor de energia, entre 2011 e 2012, cresceram 13%, principalmente pelo uso de termelétricas e subsidio da gasolina. A economia do Brasil cresceu uma média de 4,5% no período -- ou seja, as emissões para gerar energia aumentaram três vezes mais do que o PIB. Isso significa que o país ficou menos eficiente energeticamente, estamos emitindo mais para produzir os bens. Já o mundo, nos mesmos anos, teve aumento nas emissões de energia entre 2% e 3% enquanto a economia mundial cresceu quase 6%", explica Azevedo.

Para Carlos Ritll, coordenador do SEEG no Observatório do Clima, o inventário permite que um cidadão comum tome conhecimento das emissões nacionais e possa fazer suas próprias análises. Assim, o assunto mudanças climáticas tornaria-se prioritário no Brasil, atrelado ao desenvolvimento do país. "No investimento em energia, 72% vai para combustíveis fósseis. O nosso padrão de infraestrutura não é baseado em baixas emissões. O desenvolvimento de setores, como recursos para agropecuária de baixo carbono ainda recebe uma faixa pequena de incentivo", ressalta.


Menos energia renovável

Azevedo lembra que o Brasil estabeleceu em 2009 a meta de ampliar para 48% a matriz energética renovável até 2020 -- à época, a energia verde correspondia a 45% do total. "Mas em 2012, a energia renovável caiu para 42,4% do total. Como a gente tem ainda uma maior matriz verde do que a maioria dos países -- a média não chega a 20% -- ainda está confortável quando se compara aos outros, mas a tendência, com o subsídio da gasolina, por exemplo, é esse número cair ainda mais".

Sobre as metas nacionais de redução das emissões nacionais até 2020 de 36% a 39%, o coordenador acredita que a meta será cumprida, mas com tendência a crescimento nas emissões. "Estamos cumprindo com viés de subida.  Cumpre-se a meta mas não resolve-se o problema para frente. É cumprir a meta não reduzindo as emissões", prevê.


Por setor

O setor do agronegócio (produção agropecuária, queima de combustíveis fósseis para energia no setor e boa parte das emissões por mudança de uso do solo) representa 60% das emissões totais; já o setor industrial, se incorporadas as emissões para geração de energia e resíduos, chega a 19% do total, contra 5,4%, quando se consideram apenas os processos industriais específicos.

O setor de transportes representa em torno de 14% do total, ainda que parte disto atenda às demandas da agropecuária e da indústria. A maioria das emissões do setor de transportes decorre do uso de diesel no transporte de carga.

Fonte: www.uol.com.br


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

SP: inflação acelera alta a 0,32% em junho

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de São Paulo fechou junho com alta de 0,32%, após avanço de 0,1% em maio, com pressão do grupo Transportes, informou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) nesta terça-feira.

Notícias Gerais, por Redação

Lucro líquido da Ambev cresce 12,3% no primeiro trimestre de 2012

A Ambev (AMBV4) fechou o primeiro trimetre de 2012 com lucro líquido de R$ 2,346 bilhões, o que representa um avanço de 12,3% na comparação com o resultado do mesmo período de 2011, que foi de R$ 2,088 bilhões.

Notícias Gerais, por Redação

Bolsas da Ásia seguem NY e sobem com esperança por Grécia

As Bolsas de Valores asiáticas fecharam em alta nesta quarta-feira, atingindo a máxima em mais de cinco meses, com os investidores mantendo vivas as esperanças de que haja um acordo sobre os detalhes do novo programa de ajuda externa à Grécia, apesar dos atrasos.

Notícias Gerais, por Redação

MBA no Brasil atrai estrangeiros

A procura de estrangeiros por cursos de MBA no Brasil aumentou. O modo como o país enfrentou a crise econômica e a intensificação da turbulência nos mercados europeu e norte-americano têm trazido profissionais em busca de aperfeiçoamento.

Notícias Gerais, por Redação

Saída de dólares supera entrada em US$ 942 mi em novembro, diz BC

O fluxo de dólares (entrada e saída da moeda) para o país em novembro foi negativo em US$ 942 milhões em novembro, informou o Banco Central nesta quarta-feira (7). Este é segundo mês de deficit consecutivo. Em outubro, o saldo negativo foi de US$ 134 milhões.

Notícias Gerais, por Redação

BC vê inflação maior e com 45% de chance de estourar a meta

O Banco Central aumentou a previsão de inflação neste ano de 5,8% para 6,4% e avalia que há 45% de chance de que os preços fiquem acima do limite da meta fixada pelo governo.

Notícias Gerais, por Redação

Índice que reajusta aluguel sobe 0,65% no mês e 7,46% em 12 meses

O índice de preços mensurado pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), usado como referência na maioria dos contratos de aluguel, avançou 0,65% no mês de setembro, ante alta de 0,44% em agosto.

Deixe seu Comentário:

=