Publicado por Redação em Notícias Gerais - 21/09/2012

Brasil adotará todas as medidas para impedir valorização do real

O Brasil está preparado para adotar todas as medidas necessárias, incluindo as que já foram usadas no passado, para conter o fluxo de capital e impedir que o real se aprecie excessivamente, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta sexta-feira.

"Vamos adotar todas as medidas necessárias. O Banco Central comprará mais reservas, já temos um nível bastante alto de reservas e vamos comprar mais se houver uma forte oferta de dólares na economia brasileira", disse ele em conferência organizada pela Economist. "Vamos fazer mais swaps reversos (operação que equivale a compra de dólar), vamos adotar mais medidas como as que adotamos no passado", completou ele. "Não vamos permitir que nossa economia perca competitividade."

Juros
Mantega também afirmou, nesta sexta-feira, que o Brasil ainda tem espaço para reduzir a taxa básica de juros, atualmente na mínima histórica de 7,50%. "No Brasil temos visto uma redução da Selic. Mas ainda temos espaço para uma redução ainda maior dos juros", afirmou Mantega. "O Brasil tem espaço para buscar uma política monetária que seja expansionista em contraste com muitos outros países."

O Banco Central já reduziu a Selic nove vezes desde agosto de 2011.

Guerra cambial
O Brasil ameaçou adotar impostos em capital estrangeiro especulativo, disparando um alerta sobre a chamada "guerra cambial". Mantega disse que o Brasil não permitirá que o real se aprecie excessivamente e que está preparado para tomar todas as ações "como aquelas que adotamos no passado". "Se necessário, se as entradas de fluxos forem ainda mais forte, nós temos (a opção) de impostos de capital de curto prazo que podem (ser introduzidos)", disse Mantega. "Nós adotaremos novas medidas em termos de taxação de operações financeiras."

Segundo Mantega a última rodada de impressão de dinheiro pelos Estados Unidos e Japão vai exacerbar as guerras cambiais globais ao induzir outros países a embarcarem em políticas similares.

"A guerra cambial está sendo usada por países que são importantes e o quantitative easing (QE, programa de compra de ativos) que foi feito pelo FED tem estimulado esse tipo de guerra cambial. A resposta imediata ao QE dos EUA é o QE japonês, uma vez que o Japão já reagiu e adotará medidas para desvalorizar o iene"., disse Mantega. "Eles estarão estimulando guerras cambiais e isso levará todos os países também a buscarem essas guerras... É natural que outros países se defendam dessas atitudes."

O Brasil chocou os investidores em outubro de 2009 ao impor impostos sobre algumas categorias de fluxos estrangeiros para ações locais e ativos de renda fixa. À época, o país afirmou que parte desse dinheiro era especulativo e que estava prejudicando a economia.

Mantega tem sido um dos maiores críticos aos programas de compra de ativos chamados de "quantitative easing" que bancos centrais do Ocidente têm usado para sustentar suas economias.

Fonte: Terra


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