Publicado por Redação em Notícias Gerais - 30/06/2011
A nova dívida externa brasileira
Monitorar o crescimento da dívida externa brasileira é muito relevante porque os compromissos em moeda estrangeira condicionam a maior ou menor fragilidade da economia e das empresas diante de um eventual "choque" externo.
No breve período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês passado, a dívida aumentou US$ 85,9 bilhões ou 43,3%, passando de US$ 198,2 bilhões para US$ 284,1 bilhões.
Sendo considerados os financiamentos contratados pelas filiais de empresas estrangeiras instaladas no país com suas matrizes - os "empréstimos intercompanhias" que serviram para contornar os controles de fluxos de capitais adotados pelo governo - o endividamento saltou US$ 111,9 bilhões, alcançando US$ 389,4 bilhões em maio de 2011.
Tão rápido processo decorreu de decisões privadas, em particular, dos bancos cuja dívida elevou-se em US$ 60,1 bilhões ou 94,4% no mesmo período.
Do lado do setor público, foi promovida nos últimos anos a redução da dívida em moeda estrangeira, ao mesmo tempo em que aumentavam as reservas cambiais do país.
Como consequência, uma posição líquida antes altamente devedora foi cedendo lugar a uma posição credora que não para de crescer. Isso ajudou a remover uma fonte recorrente de dúvida sobre a sustentabilidade das contas públicas e serviu como escudo para que a economia superasse os efeitos da recente crise internacional.
Do lado privado, não houve desindividamento. Primeiro, em razão da antiga dependência dos recursos externos para o amparo financeiro do investimento, já que a única fonte interna de longo prazo está restrita ao tão injustamente criticado BNDES.
Segundo, porque as baixas taxas de juros no exterior combinadas com a frouxa liquidez mundial potencializaram a tomada de empréstimos externos visando os ganhos fáceis das operações de arbitragem propiciados pela nossa taxa de juros, de longe a maior do planeta.
O primeiro fator é estrutural e inevitável até que o Brasil venha dispor de um desenvolvido mercado de capitais, mas o segundo, não, devendo ser controlado porque causa extraordinária valorização da moeda e é fator de instabilidade futura.
Como mostra a experiência histórica, os fluxos de capitais para os países emergentes são cíclicos e os momentos de abundância sempre são revertidos.
O preciso instante e a causa da reversão são incertos, mas suas consequências são mais que previsíveis: levam a súbitas desvalorizações das moedas, rápida aceleração inflacionária, fortes elevações das taxas de juros e, no fim da linha, dolorosas recessões.
Nesse processo, mesmo empresas produtivamente saudáveis, mas mal posicionadas do ponto de vista de seus compromissos financeiros, sofrem perdas e podem naufragar.
Por isso, uma política para delimitar os fluxos de capitais deve abranger as diversas modalidades de recursos externos voláteis e redobrar a atenção aos mecanismos de arbitragem, atuando antecipadamente ou reagindo prontamente às ações adotadas pelos agentes para driblar os controles vigentes.
O Brasil corretamente avançou na concepção de política econômica ao aplicar medidas macroprudenciais nas áreas do câmbio e do crédito, acompanhando o que outros países fazem, mas é preciso melhorar a vigilância sobre a "arbitragem regulatória".
Fonte: www.brasileconomico.com.br | 30.06.11
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