Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 18/08/2011

A alma é o segredo do negócio

Recentemente, durante uma entrevista, o jornalista questionou-me sobre o segredo de um negócio bem sucedido, sobretudo, quando envolve a participação de 1.243 sócios, em que todos têm exatamente os mesmos direitos. No modelo cooperativista de trabalho só há sócios majoritários. A pergunta, aparentemente simples, chegou aos meus ouvidos como provocação. Provocação da boa, daquela que faz a gente querer reinventar a resposta, afinal ainda que o questionamento seja antigo, a dinâmica da vida empresarial exige respostas novas, quase sempre inovadoras.
 
Neste mundo, mudanças fazem parte das regras do jogo e adaptar-se a elas com rapidez e eficiência define o sucesso de uma organização. A resposta, portanto, estava na ponta da língua: um planejamento estratégico consistente, uma rede eficiente de serviços, médicos comprometidos com o modelo cooperativista e a confiança do cliente. Entretanto, a simplicidade da pergunta exigia mais e foi aí que me lembrei da célebre frase: “O segredo é a alma do negócio”.
 
À mineira, podemos compreender que o segredo seja realmente o grande responsável por organizações bem sucedidas, a exemplo da mítica fórmula da Coca-Cola. Porém, diante do desafio imposto de procurar respostas inovadoras, de compreender a crescente expansão dos meios de comunicação e da necessidade premente de construir marcas fortes não hesitei: a ordem da frase deve ser invertida, embora também seja possível compreendê-la da forma como está. A alma, eis o grande segredo do negócio.
 
E o que é a alma de um negócio? A alma de um negócio é sua razão de existir. O ideal que alimentou sua formação. Os valores e os princípios que embalaram seu nascimento e que ajudaram a construir, gene a gene, seu DNA empresarial. Quando as pessoas, milhares, uma centena de milhar, depositam a confiança de sua saúde nos cofres de uma cooperativa de trabalho médico, o fazem porque enxergam a “alma” da empresa, seu jeito de ser e de cuidar dos clientes, acionistas, colaboradores e da sociedade de modo geral.
 
Empresas com alma são, portanto, as que se reinventam para continuarem existindo no mundo em transformação, porque possuem um compromisso histórico consigo mesmas. É como se suas raízes fossem motores propulsores, como o são as raízes das plantas. No escuro e, em “segredo”, vão trabalhando para fazer o lado visível florescer.
 
Assim, o bom planejamento estratégico busca na essência da organização a motivação e as respostas necessárias para que o negócio, ainda que praticado com um olhar diferente em relação ao mercado (novas oportunidades e ameaças), não descaracterize a proposição original. Organizações assim não perdem de vista o ambiente externo e com o insumo que recolhem desafiam o ambiente interno a agir, reagir, inovar, contingenciar.
 
O Sistema Unimed, após ultrapassar a casa dos 40 anos, data emblemática na vida de qualquer pessoa e por que não de uma empresa, está se reinventando. Um ótimo sinal de vitalidade, de rebeldia. Porque o ato de ser rebelde é parte indissociável do ideal que norteou a criação da primeira cooperativa Unimed no país. Mais especificamente, em Santos (SP). De olho no passado, para modificar o presente e, garantir o futuro. O sonho da perpetuidade está na raiz de tudo que o homem inventa.
 
Se hoje são imprescindíveis o planejamento e os mapas estratégicos, o mapeamento dos processos e o alinhamento organizacional e de competências, a criação de indicadores e metas e a sistemática de acompanhamento dos resultados, também são vitais os constantes mergulhos à alma do negócio, para que os princípios e os valores organizacionais não fiquem perdidos no tempo, ou o que é pior, no espaço, transformados em belos quadros em exposição nos corredores.
 
A alma de um negócio precisa estar embutida em todos os processos, para que os stakeholders, notadamente, os clientes a percebam e percebendo-a se engajem na causa proposta pela empresa. Da simples aquisição de um produto ou serviço para uma mudança conceitual, comportamental. Comprar valores.
 
Dar vida ao concreto armado. Encher de sentido as embalagens. Deixar a alma do negócio se manifestar em toda a linha de produção, em todo o processo produtivo, em toda a cadeia de valor. Este sim, respondi ao jornalista, é o segredo do bom negócio.
 
*Médico anestesiologista, Dr. Hugo Borges é presidente da Unimed Juiz de Fora
 
Fonte: www.saudeweb.com.br | 18.08.11

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