Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 18/03/2026

RH como rede de apoio: a estratégia da Danone para apoiar funcionários com doenças crônicas

A presença de doenças graves no ambiente corporativo ainda é cercada por silêncio, insegurança e estigma em muitas empresas.

Dados de uma pesquisa da Working with Cancer indicam que cerca de 46% dos profissionais temem compartilhar um diagnóstico de câncer no ambiente de trabalho. E a Danone quer enfrentar isso de frente.

Diante desse contexto, a Danone Brasil passou a implementar no país as diretrizes do Working with Cancer Pledge, iniciativa global que propõe transformar o ambiente de trabalho em um espaço mais seguro para colaboradores em tratamento.

A política combina segurança financeira, psicológica e suporte nutricional, ao mesmo tempo em que investe na formação de lideranças para lidar da melhor forma com o tema.

Em entrevista exclusiva à EXAME, André Rapoport, VP de RH da Danone Brasil, conta que o objetivo é garantir que colaboradores possam enfrentar momentos críticos de saúde com apoio estruturado.

“O principal ponto que observamos é a necessidade de se criar um ambiente de verdadeira segurança psicológica. O colaborador precisa sentir que tem uma rede de apoio sólida quando necessita de mais cuidado”, diz.

Segurança psicológica como ponto de partida

A decisão de adotar a iniciativa está diretamente ligada à construção de uma cultura organizacional baseada em segurança psicológica.

A política se conecta aos valores internos da companhia e amplia práticas já existentes, como licenças estendidas, programas de mentoria e rodas de conversa. O foco é permitir que o colaborador concentre sua energia no tratamento, sem a pressão adicional do ambiente de trabalho.

"As diretrizes se conectam diretamente aos nossos valores HOPE (Humanismo, Abertura, Proximidade e Entusiasmo) e fortalecem iniciativas já consolidadas, como licenças ampliadas, programas de mentoria, rodas de conversa e suporte nutricional", explica.

Rede de proteção que garante estabilidade e renda

Na prática, a companhia estruturou uma rede de cuidado integral chamada "Rede de segurança no trabalho". Ao comunicar um diagnóstico que exige tratamento prolongado, o colaborador passa a contar com estabilidade no emprego e manutenção de 100% da remuneração por até 12 meses.

Mesmo em casos de afastamento, a empresa assegura a complementação salarial, evitando perdas financeiras. Benefícios como plano de saúde permanecem ativos durante todo o período, reduzindo incertezas em um momento de vulnerabilidade.

A política também se estende a outras condições críticas, como insuficiência renal e Alzheimer, ampliando o alcance da proteção.

Um dos diferenciais da iniciativa é a integração do suporte nutricional ao cuidado corporativo. Colaboradores em tratamento passam a ter acesso prioritário a produtos de nutrição especializada do portfólio da empresa, como Nutridrink, Cubitan e Souvenaid.

O acompanhamento é feito em conjunto com a equipe de saúde corporativa e alinhado às orientações médicas.

Um série de estudos conduzidos por pesquisadores do Centro de Hematologia e Hemoterapia da Unicamp, e publicados pela Fapesp, (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), indica que o estado nutricional impacta diretamente a resposta ao tratamento, a tolerância a terapias e a qualidade de vida dos pacientes.

Liderança que cuida

Além dos benefícios estruturais, a Danone investe na capacitação de gestores para lidar com o tema de forma mais empática. O programa de liderança vulnerável e empática busca desenvolver habilidades de escuta ativa e comunicação mais humanizada.

A proposta inclui a revisão de linguagem utilizada no ambiente corporativo, substituindo termos potencialmente estigmatizantes por abordagens que incentivem acolhimento e confiança.

A empresa acompanha os impactos dessa formação por meio de pesquisas de clima, indicadores de segurança psicológica e adesão aos canais de apoio, como programas de assistência emocional e suporte nutricional.

A mensuração dos resultados é tratada como parte central da estratégia. Entre os principais indicadores monitorados estão a percepção de segurança para compartilhar vulnerabilidades, o uso dos programas de apoio e as taxas de retenção e reintegração de colaboradores após o tratamento.

“Estruturamos a jornada dos nossos gestores com foco na escuta ativa, no acolhimento e na construção da segurança psicológica, substituindo termos que possam gerar sobrecarga emocional por uma comunicação mais humana”, explica André.

O aumento da procura espontânea por esses recursos é interpretado como sinal de redução do estigma e maior confiança no ambiente corporativo.

Primeiros sinais apontam impacto positivo

Implementada em fevereiro de 2026, a política ainda está em fase inicial, mas já apresenta indícios relevantes. Testes conduzidos antes do lançamento indicaram percepção de acolhimento por parte dos colaboradores e maior segurança para enfrentar o tratamento.

Gestores também relataram ganhos operacionais ao contar com diretrizes claras para lidar com situações sensíveis, reduzindo improvisos e padronizando o suporte oferecido.

A iniciativa está alinhada à estratégia global Renew e ao posicionamento da Danone como Empresa B, que conecta desempenho financeiro a impacto social. No campo de recursos humanos, a política reforça atributos cada vez mais valorizados no mercado de trabalho, como propósito, cuidado e segurança psicológica.

Esse movimento também fortalece a marca empregadora da companhia, posicionando-a como referência em práticas de bem-estar e diversidade inclusiva.

“Os colaboradores relataram sentir-se acolhidos e destacaram o impacto direto na segurança emocional e financeira em um momento de grande vulnerabilidade”, diz.

Um modelo que pode influenciar o mercado

A experiência global da Danone aponta que o apoio no ambiente de trabalho tem impacto direto na recuperação de pacientes. Dados da companhia indicam que 92% das pessoas em tratamento percebem melhora em sua saúde quando contam com suporte corporativo.

A iniciativa busca inspirar outras empresas a adotarem políticas semelhantes, ampliando o debate sobre o papel das organizações na redução do estigma e na promoção de ambientes mais inclusivos.

“Quando uma empresa entrega benefícios econômicos e de bem-estar, ela prova na prática os seus valores e fortalece sua marca empregadora”, finaliza.

Ao integrar benefícios concretos, desenvolvimento de lideranças e acompanhamento por indicadores, o modelo aponta para uma transformação mais ampla na forma como o tema é tratado no ambiente corporativo brasileiro.'

Fonte: Exame Brasil


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