Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 09/10/2015

Regulação dos reajustes de planos de saúde

Os reajustes abusivos das mensalidades de planos e seguros de saúde são um dos principais problemas enfrentados pelos consumidores desses serviços, conforme apurado pelo Idec (Instituto Brasileiro de Direito do Consumidor) em seu último ranking de atendimentos. Há mais de 11 anos o setor de operadoras de saúde foi o mais demandado pelos cidadãos que procuraram a entidade. A situação dos reajustes é problemática para os dois tipos de contratação existentes: planos individuais/familiares ou coletivos (contratados por empresas, associações ou sindicatos). A regulação da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) mostra-se incapaz de, em ambos os casos, garantir a efetividade dos direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor.

A atual regulação somente fixa índices máximos de reajustes para os planos individuais/familiares, que representam 20% do total do mercado. Nos últimos dez anos, os índices de reajustes anuais determinados pela ANS estiveram acima do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ampliando ainda mais o distanciamento das mensalidades e da recomposição de renda do consumidor. Estudo do Idec demonstra que, caso essa diferença entre os índices continue a mesma, em 30 anos um consumidor terá que destinar 70% de sua renda para o pagamento de seu plano individual/familiar, o que inviabilizaria a continuidade de contratação desses serviços.

Se o cenário dos reajustes dos planos individuais/familiares já é alarmante, a situação dos planos coletivos é ainda pior. Neste tipo de contratação, feita por 80% dos consumidores, os valores são livremente reajustados pelos fornecedores e, em sua maioria, são muito superiores ao percentual estipulado pela ANS para os contratos individuais/familiares. Ressalte-se que esses valores não estão claramente dispostos nos contratos e o consumidor é surpreendido com um alto percentual de reajuste das mensalidades de seu plano de saúde.

A presumida paridade de negociação entre as partes contratantes, utilizada como justificativa para a não fixação de um índice de reajustes pela agência reguladora, não se faz presente na maior parte dos casos. Isso porque a maioria desses contratos coletivos possui menos de 30 consumidores, ou seja, são de pequenas empresas, associações ou sindicatos. Ainda, os reajustes aplicados nos contratos coletivos baseiam o cálculo dos índices da ANS para o reajuste dos contratos individuais/familiares.

As situações acima descritas afrontam claramente os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor, pois representam a exigência de obrigações excessivamente onerosas dos consumidores, bem como ameaçam a boa-fé e o equilíbrio contratual que deve estar presente nas relações de consumo. Não por menos, atualmente, a questão dos reajustes abusivos de planos de saúde é altamente judicializada.

É necessário que a regulação da ANS fixe índices de reajustes tanto para os planos individuais/familiares quanto para os coletivos. Ainda, os valores a serem estipulados devem guardar relação com a composição de renda dos consumidores e não se mostrarem excessivamente onerosos, observando-se os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor.

Fonte: Diário do Grande ABC


Posts relacionados

Saúde Empresarial, por Redação

Humanidade 2.0 exigirá sistema de saúde reinventado

Na palestra “O futuro em quatro atos”, proferida nesta sexta-feira (20), Alves tentou prever, utilizando um modelo matemático da história humana a partir de 1500, como será o século XXI.

Saúde Empresarial, por Redação

Despesas assistenciais entre líderes de planos de saúde batem recorde de R$ 30,5 bi

Levantamento considera dados de 29 operadoras associadas à FenaSaúde

Saúde Empresarial, por Redação

Sete em cada dez hospitais brasileiros têm orçamento exclusivo para limpeza das mãos

Um relatório divulgado nesta sexta-feira (2) pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mostra que 70% dos hospitais brasileiros têm uma parte específica de seu orçamento destinado à limpeza das mãos e 67%

Saúde Empresarial, por Redação

O que é atividade fim na saúde?

Um dos temas mais instigantes e que tem sido motivo de imensas discussões no setor saúde é a definição da atividade fim e qual deve ser o papel do Estado no cumprimento do que está determinado na Constituição Federal, que define a saúde como dever do Estado e direito do cidadão.

Deixe seu Comentário:

=