Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 01/04/2026

Geração Z já lidera níveis de estresse e se torna a que mais registra burnout; aponta estudo

O aumento do estresse e do esgotamento profissional já atinge a maior parte dos trabalhadores, especialmente entre os mais jovens.

Dados do estudo Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 indicam que 55% da Geração Z e dos Millennials relatam níveis crescentes de estresse ano após ano, enquanto o índice cai para 47% na Geração X e 38% entre Baby Boomers.

O levantamento revela ainda que nove em cada 10 profissionais apresentaram sintomas de burnout no último ano.

O avanço silencioso do esgotamento nas empresas

O cenário de desgaste emocional no ambiente corporativo deixou de ser pontual e passou a estrutural. Quase 40% dos trabalhadores afirmam sentir sintomas de burnout ao menos uma vez por semana, indicando que o problema já faz parte da rotina organizacional.

O recorte geracional reforça a intensidade do fenômeno. Profissionais mais jovens, inseridos em ambientes mais dinâmicos e pressionados por alta performance, apresentam níveis mais elevados de estresse contínuo.

Para Patricia Ansarah, CEO do Instituto Internacional de Segurança Psicológica, o problema está diretamente ligado à forma como o trabalho é estruturado. “Limites saudáveis não são barreiras, mas fundamentos. Eles fortalecem a confiança, preservam a saúde e permitem que as pessoas atuem com excelência sem se desgastar”, afirma.

A dificuldade de estabelecer limites no trabalho

A ausência de limites claros entre vida profissional e pessoal aparece como um dos principais fatores por trás do esgotamento. Jornadas prolongadas, hiperconectividade e dificuldade em desconectar criam um ambiente de sobrecarga constante.

Segundo Patricia, reconhecer sinais de desgaste é essencial para evitar quadros mais graves. “Estabelecer prioridades e identificar sinais de esgotamento são passos essenciais para prevenir a sobrecarga mental e impulsionar a produtividade”, diz.

A fala reforça um ponto crítico para empresas. A produtividade sustentável não está associada ao volume de trabalho, mas à capacidade de gestão de energia e foco.

Hábitos e gestão do tempo ganham protagonismo

Diante desse cenário, profissionais têm buscado mudanças práticas na rotina. O estudo aponta que 59% passaram a praticar exercícios físicos, 56% adotaram o hábito de dormir mais cedo e 47% priorizam tempo com família e amigos.

Essas ações indicam uma tentativa de reequilibrar a relação com o trabalho, trazendo mais intencionalidade para o uso do tempo.

“É importante definir prioridades com propósito, escolhendo o que é essencial e organizando o tempo e a energia em torno disso. Um ponto é estabelecer hora para começar e terminar o trabalho, e cumpri-las”, afirma Patricia.

Comunicação e delegação como fatores estratégicos

Além da gestão individual, o ambiente organizacional também exerce influência direta sobre o bem-estar. A especialista destaca a importância de reduzir ruídos na comunicação e fortalecer relações mais claras e objetivas.

A delegação de tarefas surge como outro elemento central. Dividir responsabilidades deixa de ser visto como fragilidade e passa a ser entendido como inteligência coletiva.

Essa mudança de mentalidade é especialmente relevante para empresas que buscam alta performance sem comprometer a saúde dos times.

Segurança psicológica como diferencial competitivo

A discussão sobre limites saudáveis amplia o debate sobre segurança psicológica nas organizações. Ambientes onde profissionais se sentem seguros para se expressar, pedir ajuda e reorganizar demandas tendem a apresentar melhores resultados no longo prazo.

Segundo Ansarah, também é fundamental reconhecer que prioridades mudam ao longo do tempo. “É necessária uma revisão constante de como anda o dia a dia”, afirma.

O corpo, segundo ela, costuma dar sinais claros de sobrecarga, como queda de foco, irritabilidade e fadiga. Ignorar esses sinais pode comprometer tanto a saúde quanto a performance.

Fonte: Exame


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