Publicado por Redação em Notícias Gerais - 03/10/2013

Congresso livra planos de saúde de cobrança bilionária


Com apoio do governo, o Congresso Nacional livrou as administradoras de planos de saúde de uma cobrança bilionária do PIS/Cofins, graças a um dispositivo incluído na Medida Provisória (MP) 619, aprovada na noite de terça-feira (1º). Além de ser liberado de pagamentos sobre o passado, o setor ganhou outro benefício, que terá impacto daqui em diante: a base sobre a qual os tributos incidem foi reduzida em 80%.

Desde 2003, a Receita Federal e os planos de saúde travavam uma batalha na esfera administrativa sobre a cobrança de PIS/Cofins do setor. A MP decidiu a disputa a favor das empresas.

Uma fonte graduada da equipe econômica comentou ao Estado que, dessa forma, será permitido "limpar o passivo tributário que era questionado pela Receita, sendo discutido em tribunal administrativo".

Como as alterações foram negociadas pelo governo, a presidente Dilma Rousseff não deverá vetar esses dispositivos. Com a sanção da MP, o passivo administrativo entre planos e Receita deixa de existir.

Não há cálculos precisos sobre quanto esse "perdão" pode representar. Uma fonte da área econômica estima que a Receita deixará de cobrar perto de R$ 4 bilhões dos planos de saúde. Mas há quem diga que é "muito mais" e quem diga que é menos.

A MP também cortou em cerca de 80% a base de incidência do PIS/Cofins, cobrado sobre o faturamento das empresas. Ela exclui da base de cálculo do tributo todos os "custos assistenciais" das operadoras com seus clientes e, também, com os clientes de outras operadoras. Nessa lista, estão despesas com hospitais e com funcionários dos planos, por exemplo. Divergência

O entendimento do Fisco, que originou a disputa tributária, era de que na base de cálculo do imposto deveriam ser incluídos esses atendimentos. As empresas sempre entenderam o contrário, e essa parte do tributo nunca foi recolhida.

Por outro lado, a MP 619 também eleva, em 1 ponto porcentual, a alíquota da Cofins que incide sobre o faturamento das empresas. Com a sanção da medida provisória, a Cofins passará a ser de 4%.

Fonte: www.uol.com.br


No entanto, por causa do enxugamento da base de incidência do tributo, as companhias pagarão mais sobre uma parte menor do faturamento. A vantagem da redução da base de cálculo foi tão grande que as próprias operadoras aceitaram essa elevação da alíquota da Cofins nas negociações com a equipe econômica do governo.

A "anistia" para os planos de saúde causou indignação na área técnica da Receita Federal. A inclusão da emenda na MP 619 foi costurada pelo próprio governo. A presidente Dilma chegou a se encontrar com dirigentes das maiores operadoras de planos de saúde para tratar deste assunto, no primeiro semestre.

"É um escândalo", disse Lígia Bahia, pesquisadora do Instituto de Saúde Coletiva da UFRJ, e um das maiores especialistas em saúde do País. De acordo com Lígia, as empresas "já recolhiam uma alíquota baixa, e agora foram beneficiadas ainda mais". A pesquisadora lançou dúvidas quanto à motivação por trás da medida de estímulo fiscal às empresas.

O jornal "O Estado de S. Paulo" apurou que as companhias do ramo de saúde suplementar vinham, há pelo menos dois anos, pressionando fortemente o governo para obter a vantagem tributária. Mas somente agora conseguiram. A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) foi procurada, mas não quis comentar.


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Governo vai retirar projeto que altera dívida dos estados, diz Fazenda

 Motivo é inclusão de desconto de 45% na divida de Estados com União.

Notícias Gerais, por Redação

Mercado de trabalho resiste a baixo crescimento da economia brasileira

Os números positivos sugerem que o mercado de trabalho, especialmente no setor de serviços, ainda resiste ao baixo crescimento da economia.

Notícias Gerais, por Redação

5 estratégias para ganhar com a bolsa em baixa

Depois de iniciar o ano dando sinais de recuperação, a bolsa de valores de São Paulo voltou a apresentar grande volatilidade e a sofrer mais com a influência dos problemas econômicos globais.

Notícias Gerais, por Redação

Em apenas seis meses, projeções para economia brasileira despencam

Ao longo dos seis primeiros meses do ano, o Banco Central divulgou 26 edições do Relatório Focus. Do total, 13 publicações, exatamente a metade, revisaram as expectativas do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro para baixo.

Notícias Gerais, por Redação

12 milhões já tomaram vacina da gripe, mas grávidas aderem menos

Pelo menos 12,2 milhões de pessoas já tomaram a vacina contra a gripe em todo o país, número que corresponde a 41% de toda a cobertura vacinal, segundo balanço parcial da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe.

Notícias Gerais, por Redação

Ibovespa Futuro abre em leve alta após confirmação da troca de bônus gregos

Os contratos do Ibovespa Futuro com vencimento em abril abriram o pregão da BM&F nesta sexta-feira (9) em leve alta de 0,07%, negociados a 67.550 pontos,

Deixe seu Comentário:

=