Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 05/05/2011

Comer menos sal não reduz riscos cardíacos, diz estudo

Pessoas que comem muito sal não estão mais propensas a ter hipertensão, e correm menos risco de morrer de doença cardíaca do que aquelas com baixa ingestão da substância, indica um novo estudo europeu publicado no "JAMA" (Journal of American Medical Association).

Os resultados "se contrapõem à recomendação atual de diminuir o consumo de sal", disse o autor do estudo, Jan Staessen, da Universidade de Leuven, na Bélgica.

Orientações atuais sobre o consumo do sal, incluindo as lançadas pelo governo dos EUA em janeiro, se baseiam em dados de estudos de curto prazo com pessoas que seguiram uma dieta de baixo teor de sal, ou rica no alimento, segundo Staessen.

O governo norte-americano recomenda que as pessoas consumam menos de 2.300 mg de sal por dia --1.500 mg para quem têm mais chance de sofrer hipertensão arterial ou doenças cardíacas.

Enquanto estudos anteriores sugerem que o baixo consumo de sal é benéfico para a pressão arterial, a pesquisa ainda tem que provar se os resultados se traduzem em melhor saúde do coração para a população em geral.

Os pesquisadores usaram dados de dois estudos diferentes. Eles analisaram cerca de 3.700 europeus que tiveram o consumo de sal medido por meio de amostras de urina no começo das pesquisas. Staessen e seus colegas dividiram os participantes em três grupos: aqueles com consumo de sal mais elevado; mais baixo; e com consumo médio.

Nenhum dos participantes tinha uma doença cardíaca no início, e dois terços tinham pressão arterial normal. Eles foram seguidos por cerca de oito anos, período em que os investigadores determinaram quantos deles foram diagnosticados com doença cardíaca e, em um grupo menor, quantos tiveram hipertensão.

A chance de desenvolver doenças cardíacas e dos vasos sanguíneos não foi diferente nos três grupos. No entanto, os participantes com menor ingestão de sal apresentaram a maior taxa de mortalidade por doença cardíaca durante o acompanhamento (4%), e as pessoas que comeram mais sal tiveram a menor (menos de 1%).

Em todos os grupos, um em cada quatro participantes do estudo que começou com pressão sanguínea normal foi diagnosticado com pressão arterial elevada.

Os pesquisadores descobriram que uma medida de pressão arterial --pressão arterial sistólica-- aumentou após maior ingestão de sal ao longo do tempo. Apesar disso, a mudança foi muito pequena, por isso não é relevante para os resultados, de acordo com Staessen.

Reduzir a ingestão de sal pode ainda ser uma boa ideia para as pessoas que já têm pressão arterial elevada ou que tiveram problemas cardíacos no passado, acrescentou, mas o estudo não encontrou nenhuma evidência de que o sal da dieta aumenta essas condições.

"É claro que se deve ter muito cuidado na defesa da redução generalizada no consumo de sódio entre a população em geral", disse Staessen. "Pode haver alguns benefícios, mas também pode haver alguns efeitos adversos."

Hillel Cohen, epidemiologista do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, disse que quando restaurantes ou empresas de alimentos colocam menos sal em seus produtos, eles podem acrescentar outras substâncias potencialmente nocivas para compensar o sabor perdido, ou para conservá-los.

Os consumidores não devem mudar seu comportamento alimentar com base em estudos limitados, que tentam determinar a ligação entre o sódio e os riscos para o coração, acrescentou Cohen, que não estava envolvido na pesquisa atual.

Os autores advertem que a pesquisa analisou apenas brancos europeus, por isso os resultados podem não servir para pessoas de outras etnias.

Fonte: www1.folha.uol.com.br | 05.05.11


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