Publicado por Redação em Vida em Grupo - 31/05/2011

Brasil contraria tendência de redução da energia nuclear

A Alemanha engrossou ontem o grupo de países que decidiu cortar o número de usinas atômicas em seus territórios.

Primeiro foi a Bélgica, depois a Suíça e agora a Alemanha. Os três países europeus que dependem - e muito - das usinas nucleares para manter suas economias funcionando anunciaram planos para acabar de vez com a dependência dessa fonte de energia.

Até os Estados Unidos, que são o maior produtor desse tipo de energia do planeta, está revendo seus planos para a construção de três novas usinas e já começa a atualizar a política de segurança de suas 104 plantas nucleares. E o Brasil?

Com apenas duas usinas nucleares (Angra 1 e 2) e uma em construção (Angra 3), o Brasil parece ignorar a nova realidade mundial. Prova disso foi a aprovação pela Câmara dos Deputados na semana passada da Medida Provisória (MP) 517 - a MP "Frankestein".

Um dos artigos da MP, que vai agora para votação no Senado, autoriza a criação do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Usinas Nucleares (Renuclear). Esse regime suspende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto de Importação que incide sobre as compras de equipamentos, máquinas e materiais de construção pelas empresas envolvidas em projetos de novas usinas nucleares no país.

O benefício fiscal, que vale até 31 de dezembro de 2015, resultará em renúncia de R$ 589 milhões pelo governo federal.

"Dar subsídios que estimulem investimentos em energia nuclear, ainda mais após o acidente de Fukushima, no Japão, é andar na contramão do mundo", afirma o professor e físico nuclear José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo.

"O problema dessa MP (517) é que ela está datada de 30 de dezembro de 2010, ou seja, anterior ao acidente nuclear do Japão. Ela, claramente, representa uma visão pré Fukushima", lembra o físico. As usinas de Fukushima, no Japão, foram gravemente afetadas durante o terremoto seguido de tsunami que atingiu o país asiático, um dos mais atentos às questões de segurança e planejamento nuclear, em março.

Revisão de planos

O também físico Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobrás -controladora da Eletronuclear, que administra as usinas de Angra 1 e 2 - e atual diretor do programa de pós-graduação em engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também defende uma revisão do programa nuclear brasileiro.

"O Brasil não deve construir mais quatro reatores como anunciado. Acho mais prudente avaliar os rumos da tecnologia nuclear para depois decidirmos isso", disse.

"O custo para finalização da obra de Angra 3 está muito alto, acima de US$ 4.500 por KW, enquanto a hidrelétrica de Belo Monte tem previsão de custos de US$ 1 mil por KW. O custo-benefício de reatores nucleares não é bom", explica Rosa.

O Plano Nacional de Energia prevê que o preço das unidades projetadas pela Eletronuclear para entrar em operação após 2020 ficará entre R$ 150 e R$ 155 o megawatt/hora, Para a Eletronuclear o valor é competitivo, apesar de semaior que o previsto para Angra 3, de R$ 148 MW/h.

Em Angra 1 e 2, o valor da tarifa é R$ 134 MW/h. A Eletrobras destaca ainda o índice de nacionalização das usinas, que deve chegar a 70%, superando os 54% previstos para Angra 3 e os 50% de Angra 2.

Fonte: www.brasileconomico.com.br | 31.05.11


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