Publicado por Redação em Notícias Gerais - 14/09/2011

Bancos brasileiros apostam na alta do dólar

A corrida dos bancos brasileiros para liquidar suas apostas na queda do dólar, segundo analistas, explica porque a moeda subiu em um período em que houve forte entrada de recursos estrangeiros no país.

Devido à instabilidade neste mercado, pela primeira vez desde o dia 22 de dezembro do ano passado, o Banco Central não fez leilão de compra de dólares.

Segundo cálculos do mercado financeiro com base em dados do BC, os bancos usaram o dinheiro que entrou no país, mais de US$ 8 bilhões, para cobrir suas dívidas e estão agora com moeda estrangeira em caixa, o que significa que apostam na alta da divida.

No jargão do mercado, se diz que as instituições estão "compradas" em dólar, em volume superior a US$ 1 bilhão.

Entre abril de 2010 e agosto deste ano, elas estiveram sempre "vendidas" --como se vendessem o dinheiro hoje, a uma taxa mais alta, para entregar no futuro, adquirindo a moeda no mercado por um custo menor. Ou seja, apostavam e ganhavam com a queda nas cotações.

Essas apostas chegaram a quase US$ 17 bilhões no final do ano passado. Desde então, o BC impôs limites a essa especulação, que havia caído para US$ 6 bilhões no fim de agosto.

Sem essa redução, o efeito da piora na crise internacional sobre o mercado de câmbio teria sido maior, pois haveria mais demanda dos bancos por dólares.

Dados do Banco Central até a última sexta-feira (9) mostram uma entrada de US$ 8,1 bilhões no país. Nesse período, o BC retirou do mercado apenas US$ 214 milhões. Mesmo assim, o que se verificou foi uma demanda superior à oferta de divisas.

"O BC não comprou dólares porque o dinheiro entrou e ficou nos bancos", diz o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

Galhardo diz que, apenas quando o mercado avaliar que possui dólares suficientes para atender à demanda sem ter prejuízo com a alta da moeda haverá uma reversão das cotações.

"Vamos ver o dólar voltando para R$ 1,65 ou R$ 1,60, mas não vai ser tão rápido assim. Em setembro e outubro ainda haverá um pouco dessa pressão."

Sidnei Nehme, da corretora NGO, avalia que a mudança nas apostas no mercado de contratos de dólar também está contribuindo para puxar as cotações para cima.

Fundos estrangeiros, por exemplo, precisam reduzir suas apostas nas quais ganhavam com a queda do dólar e a alta dos juros no Brasil. Há US$ 14 bilhões em contratos que podem ser liquidados, movimento que pode "contagiar" o preço do dólar no mercado à vista.

Fonte: www1.folha.uol.com.br | 14.09.11
 


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Empresas estão mais céticas com desempenho da economia

Após um período de otimismo, o Índice de Confiança e Expectativas das Seguradoras (Ices) registrou queda no mês de abril. O Índice atingiu 111,4, com queda de 3,7 pontos em relação ao mês anterior.

Notícias Gerais, por Redação

Balança comercial fecha agosto com superávit de US$ 3,227 bilhões

O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) divulgou nesta segunda-feira (3) a balança comercial brasileira, mostrando que o país teve superávit de US$ 705 milhões no período entre 27 e 31 de agosto.

Notícias Gerais, por Redação

Brics avaliam criar banco conjunto e aproximar bolsas de valores

O grupo Brics (que reúne as potências emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) deve lançar nesta semana a proposta de um banco conjunto de desenvolvimento, e medidas para aproximar suas bolsas de valores.

Notícias Gerais, por Redação

Brasil avança menos que os países ricos no ensino superior

Segundo relatório da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a distância que separa o Brasil dos países mais ricos, que já era grande, aumentou ainda mais quando se compara a proporção de adultos com nível superior entre gerações.

Deixe seu Comentário:

=